A poucos passos da Avenida Paulista, jardins, gastronomia, cultura, hotelaria, arquitetura contemporânea e patrimônio histórico convivem em um território que oferece diferentes motivos para chegar, e para voltar.

MATA São Paulo e Rosewood São Paulo fazem parte desse território, que integra a Cidade Matarazzo, projeto que começou a tomar forma em 2007, a partir da recuperação do antigo conjunto hospitalar idealizada pelo empresário francês Alexandre Allard.

Quase duas décadas depois, essa transformação já não é a história de um lugar que vai mudar. É um destino em funcionamento, vivido por moradores, visitantes e por quem simplesmente chega para almoçar, caminhar, encontrar pessoas ou descobrir o que existe por ali.

Um lugar pensado para ser vivido

A visão de Alexandre Allard para o projeto partiu da possibilidade de criar não apenas um empreendimento, mas um lugar capaz de reunir diferentes dimensões da vida urbana.

Ao falar sobre essa ideia, Allard volta às pessoas, aos encontros e àquilo que um espaço pode proporcionar. É nesse contexto que define seu trabalho como a criação de “ecossistemas de vida”, voltados a proporcionar “momentos de vida”.

A ideia ajuda a compreender o que acontece hoje nesse território. Hotelaria, gastronomia, cultura, arquitetura, arte e natureza não aparecem como experiências isoladas, mas como partes de um lugar pensado para ser vivido de diferentes maneiras, e por diferentes públicos.

Arquitetura de museu, mas para atravessar todo dia

Uma das experiências mais interessantes de caminhar por esse endereço é encontrar arquiteturas separadas por mais de um século a poucos metros umas das outras.

A histórica Capela Santa Luzia, restaurada e ainda em funcionamento, convive com a contemporânea Torre Mata Atlântica, concebida pelo arquiteto francês Jean Nouvel, vencedor do Prêmio Pritzker e autor de projetos como o Institut du Monde Arabe e a Fondation Cartier, em Paris.

O encontro poderia provocar ruptura. No lugar disso, patrimônio, arquitetura contemporânea e natureza passam a fazer parte de um mesmo percurso.

Na Torre Mata Atlântica, que integra o Rosewood São Paulo, a vegetação participa da própria arquitetura. Mais de 250 árvores, além de outras espécies, ajudam a filtrar a luz, criar privacidade e modificar a percepção do edifício ao longo do dia. A concepção paisagística é do escritório de Benedito Abbud.

Percorrendo os jardins, essa relação fica mais evidente do que nas plantas ou fotografias do projeto. A paisagem aparece ora como jardim, ora como percurso, sombra, enquadramento da arquitetura e até elemento de privacidade. Sob as copas, obras de arte surgem entre a vegetação e novas perspectivas dos edifícios aparecem conforme avançamos pelo lugar.

Foi justamente sobre essa relação que conversamos com Benedito Abbud durante a produção desta matéria. Para ele, a vegetação é o elemento capaz de conectar arquiteturas e tempos distintos:

“A vegetação funciona como o elemento que costura tudo isso.”

A Mata Atlântica é uma das grandes referências do projeto paisagístico, trazendo espécies brasileiras para um dos trechos mais densamente construídos de São Paulo e contribuindo para a sensação de estar em um oásis em meio à cidade.

O resultado parece natural, mas Benedito lembra:

“Hoje você chega aqui e parece quase óbvio que o lugar seja assim. Mas esse óbvio foi totalmente construído.”

Rosewood São Paulo: entre os melhores hotéis do mundo

O Rosewood São Paulo ocupa duas arquiteturas de tempos distintos: o edifício histórico restaurado e a contemporânea Torre Mata Atlântica, concebida por Jean Nouvel.

Em setembro de 2026, o hotel alcançou a 6ª posição no The World’s 50 Best Hotels, reforçando sua projeção internacional.

Sob a direção artística de Philippe Starck, os interiores partem de uma imersão na cultura brasileira. Madeiras, pedras e materiais de origem nacional, mobiliário, arte e trabalhos de artistas e artesãos brasileiros aparecem ao longo dos ambientes.

A arte não está concentrada em uma galeria. Mais de 450 obras de artistas e artesãos brasileiros estão distribuídas pelo hotel, muitas delas criadas especificamente para os espaços que ocupam. É possível encontrá-las nos quartos, corredores e áreas comuns, incorporadas à experiência cotidiana do lugar.

Na visita às suítes da Torre Mata Atlântica, uma das relações que mais chama a atenção é a proximidade da vegetação. As árvores filtram a luz, preservam a privacidade e, em alguns pontos, fazem com que a fronteira entre interior e exterior praticamente desapareça.

Gastronomia, bem-estar e a localização a poucos passos da Avenida Paulista completam a experiência, fazendo do Rosewood não apenas uma opção de hospedagem, mas também um dos motivos para conhecer esse endereço.

MATA São Paulo: gastronomia, cultura e novas experiências

A MATA São Paulo reúne gastronomia, cultura, moda, encontros e convivência, criando diferentes razões para chegar, e para retornar em outros horários, com outras pessoas e outras intenções.

Restaurantes e diferentes operações dividem espaço com áreas de convivência, programação cultural e pequenos quiosques que aproximam o lugar de quem passa por ali. Arte, artesanato, comidinhas e outras descobertas aparecem pelo percurso e convidam o visitante a entrar, caminhar e permanecer.

Espaços como o MataLab e Mata Città ampliam essa programação, enquanto a Casa Bradesco acrescenta exposições e atividades culturais ao endereço.

A gastronomia ocupa um espaço importante nessa experiência e ajuda a manter o lugar em movimento ao longo do dia.

O território abriga ainda o AYA, edifício corporativo que acrescenta outra dimensão de uso ao endereço e traz para o cotidiano do lugar pessoas que trabalham e circulam por ali diariamente.

Mais interessante do que uma programação única é justamente essa sucessão de possibilidades. O mesmo endereço pode ser destino de um almoço ou jantar, de uma exposição, de uma reunião, de um evento ou simplesmente de uma caminhada.

E, entre uma experiência e outra, a paisagem permanece como fio condutor.

Um lugar para viver São Paulo de outra maneira

A experiência não termina nos limites dos edifícios.

Na conexão com a Avenida Paulista e na Alameda Rio Claro, materiais, drenagem, vegetação e espaços destinados ao pedestre foram repensados para estabelecer uma relação mais próxima com a cidade.

Benedito Abbud chama intervenções como essas de “gentilezas urbanas”.

A vegetação participa da organização dos percursos e pequenas decisões de projeto interferem diretamente na experiência de quem simplesmente atravessa esse pedaço da Bela Vista,  mesmo sem entrar em um hotel, restaurante ou loja.

Quase duas décadas depois do início do projeto, o lugar continua em movimento. Novos espaços chegam, a vegetação amadurece e diferentes experiências continuam surgindo.

Durante nossa visita, ficou claro que compreender esse território apenas por seus edifícios, restaurantes ou mesmo pelo paisagismo seria reduzir aquilo que acontece ali. É no percurso entre essas experiências,  e na maneira como uma conduz à outra que o lugar revela sua identidade.

É possível chegar para almoçar e se deparar com uma arquitetura surpreendente, encontrar obras de arte pelo caminho, caminhar sob as árvores, descobrir uma exposição ou simplesmente escolher um lugar para sentar e observar o movimento.

Mais do que devolver vida a um conjunto histórico, a transformação criou novos motivos para viver esse pedaço de São Paulo.

Quase duas décadas depois do início dessa transformação, talvez esse seja seu resultado mais interessante: um endereço que deixou de ser apenas um conjunto de projetos para se tornar um lugar onde São Paulo acontece de muitas maneiras.

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